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Os delegados rejeitaram uma moção que teria permitido a cada Divisão da Igreja Adventista do Sétimo Dia decidir por si mesma se queria ordenar mulheres para participarem do ministério evangélico no seu território.

Com uma votação por voto secreto de 1381 votos a favor do “não” e 977 votos a favor do “Sim”, para além de 5 abstenções, os delegados puseram fim a um processo que durou cinco anos e que se caracterizou por um debate vigoroso e, por vezes, amargo. Ted Wilson, Presidente da Conferência Geral, apelou aos membros para que se unam na prossecução da missão da Igreja. “Agora é tempo de nos unirmos sob a bandeira manchada de sangue de Jesus Cristo e sob o Seu poder, não o nosso poder”, disse Wilson depois dos votos terem sido contados. “Agora é tempo de nos unirmos na nossa missão como Igreja de Cristo.” Ele agradeceu aos delegados pelo “modo cuidadoso e espiritual como se comportaram e como trataram a questão” durante as seis horas de discussão.

Foi usado um sistema de voto secreto, o qual oferecia o processo de votação mais justo e mais seguro, disseram os líderes da Conferência Geral. “Tentámos ser transparentes, honestos e prudentes, garantindo ao máximo a privacidade do voto”, disse Nancy Lamoreaux, organizadora da logística para o voto realizado na quarta-feira, 8 de julho. A folha de voto foi impressa em papel especial, cortada no tamanho de meia folha A4 e dividida em duas partes. Uma parte continha a palavra “Sim” impressa em cinco línguas, e a outra parte continha a palavra “Não” também em cinco línguas. As línguas foram o Inglês, o Espanhol, o Francês, o Alemão e o Português. O sistema de voto secreto foi preparado antecipadamente como sistema de recurso caso o sistema de voto eletrónico não funcionasse, disse o Sub-Secretário Myron Iseminger, cujo setor superintende as votações nas sessões da Conferência Geral. O sistema de voto eletrónico, que foi usado inicialmente na Sessão da Conferência Geral, foi afetado por vários problemas, pelo que os delegados votaram no domingo no sentido de não o usarem.

Ted Wilson, que deu início à sessão da manhã com um apelo a todos os membros da Igreja para que respeitassem o resultado do voto, sublinhou então (e também depois do voto) que as decisões tomadas pela sessão da Conferência Geral têm a mais alta autoridade na Igreja Adventista do Sétimo Dia. As discussões ao longo do dia, que começaram às 9:30 e foram interrompidas ao meio-dia, durante duas horas para o almoço, foram intervaladas doze vezes para dar lugar à oração. Os participantes empenharam-se em oração silenciosa, aos pares ou em grupo. Centenas de Adventistas que estavam a assistir à Sessão da Conferência Geral encheram as salas de oração organizadas pela Associação Ministerial e pelo Departamento dos Ministérios da Mulher.

Tanto Ted Wilson como Michael L. Ryan, um Vice-Presidente da Conferência Geral reformado que liderou as discussões de quarta-feira, expressaram o seu agrado pelo “espírito doce” que permeou os trabalhos. Ryan assegurou que a discussão era realizada com decoro, repreendendo várias vezes a assistência por aplaudirem os intervenientes durante a discussão. De facto, os delegados tinham concordado antes em se abster de aplaudir as intervenções, de modo a manterem as emoções sob controlo. Ryan, que anunciou os resultados finais da votação, admoestou vigorosamente um grupo na assistência que aplaudiu fortemente o resultado final. “Não há nada de triunfal nisto”, disse ele, “não há vencedores nem vencidos.”

Erton Köhler, Presidente da Divisão Sul-Americana, ecoou os sentimentos de Ryan, afirmando que a votação não eram um combate político. “A minha expectação para a Igreja não é a de existirem vencedores ou vencidos, mas é a de que cada um sinta esta decisão como sendo a decisão de Deus e que faça dela a sua decisão pessoal”, disse ele. “Que todos possam ter a humildade de reconhecer que Deus pode manifestar a Sua vontade de um modo diferente da nossa opinião pessoal.” Jerry Page, diretor da Associação Ministerial, também falou sobre humildade. “Se nos empenharmos na oração, em humilde confissão, no arrependimento e no serviço a favor de outros, podemos avançar, em vez de ficarmos a girar no mesmo lugar ou retrocedermos por causa dos conflitos”, disse ele. Lisa Beardsley-Hardy, diretora do Departamento de Educação, disse que ela espera que os delegados demonstrem respeito mútuo. “A minha esperança e o meu desejo é que exista indulgência a favor dos nossos irmãos e irmãs que enfrentam desafios no ministério à volta do mundo, ministério esse que difere do nosso”, disse ela. “A indulgência é uma graça que pode apenas proceder de Deus, de modo a não nos determos mutuamente como reféns, nem abandonarmos o corpo de Cristo quando algo nos ofende.” 

Um total de 2363 votos foram expressos numa moção preparada por destacados líderes da Conferência Geral e pelos Presidentes das Divisões e aprovada no Conselho Anual de 2014. A moção dizia o seguinte: “Depois de ter estudado com oração o tema da ordenação na Bíblia, nos escritos de Ellen White e nos relatórios das comissões de estudo, e depois de considerar cuidadosamente o que é melhor para a Igreja e para o cumprimento da sua missão, é aceitável que os Comités Executivos das Divisões tomem providências, na forma que eles julguem ser a mais apropriada nos seus territórios, para a ordenação de mulheres para o ministério evangélico? Sim ou Não.” Durante a discussão um total de 40 delegados – 20 a favor e 20 contra – fizeram uso dos microfones para expressarem a sua posição sobre a moção. A discussão foi interrompida 35 vezes por delegados que desejavam fazer “pontos de ordem”, isto é, objeções sobre o modo como alguns aspetos dos trabalhos estavam a ser conduzidos. Mais ou menos a meio dos trabalhos durante a tarde, Ryan convidou Jan Paulsen, um antigo Presidente da Conferência Geral, a fazer uma declaração. Paulsen encorajou os delegados a votarem “Sim”, dizendo que isto era uma questão de confiança. Ele disse que os membros de Igreja tinham de confiar que os membros de Igreja noutras divisões sabiam melhor quais eram as necessidades das igrejas locais. Ryan também convidou Ted Wilson a fazer uma declaração. Wilson não recomendou um voto “Sim” ou “Não”, dizendo apenas que “a minha opinião é bem conhecida e eu creio que ela tem uma base bíblica.” Os trabalhos de quarta-feira começaram com um acordo entre os delegados para se pôr fim à discussão às 16:30h, de modo a se começar então o processo de votação. Ao se aproximar a referida hora, vários delegados pediram a Ryan que prolongasse a discussão, mas Ryan declarou o pedido improcedente.

G. T. Ng, Secretário Executivo da Conferência Geral, indicou durante as discussões de quarta-feira que a Conferência Geral esperava que todas as entidades da Igreja cumprissem plenamente a decisão votada. “Somos uma só Igreja”, disse Ng. 

ANN | Ad7 Notícias