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A Igreja Adventista do Sétimo Dia raramente revê as suas Crenças Fundamentais. Assim, porque o fez agora?

Há sete razões que podem levar uma denominação a considerar rever as declarações sobre as suas crenças. Ela pode desejar:

(A) Encontrar uma formulação gramatical e semântica mais correta. 

(B) Encontrar uma linguagem que é mais fácil de traduzir em outras línguas.

(C) Atualizar a terminologia quando o seu significado ou uso mudou.

(D) Clarificar expressões que não exprimam claramente a posição da Igreja.

(E) Fazer face a novas situações que pedem clarificação.

(F) Acrescentar uma ênfase que não estava presente em anteriores declarações.

(G) Acrescentar novas declarações, que ampliam ou mudam o significado de declarações anteriores.

Ora, na terça-feira, 7 de julho, não houve mudanças do tipo G nas Crenças Fundamentais. Embora não tenha havido grandes acrescentos (categoria F), houve alguns acréscimos menores. Por exemplo, foi acrescentada à Crença nº 2, “A Trindade”, a frase “Deus, que é amor”. A Crença nº 11, “Crescer em Cristo”, enfatiza a dimensão social do Cristianismo bíblico. Reafirmar o amor de Deus e enfatizar a assistência à comunidade sempre foi importante para a nossa Igreja. 

Muitas alterações são do tipo A e B. Por exemplo, na Crença nº 17, “Dons Espirituais”, foram substituídas as palavras “a qual” por “aquela”; na Crença nº 25, “A Segunda Vinda”, a frase “a vinda de Cristo é iminente” foi substituída por “a vinda de Cristo está próxima”. Esta mudança não só tem a vantagem de usar linguagem bíblica, mas também é mais fácil de ler e de traduzir.

Também houve muitas alterações do tipo C, mudanças no significado da linguagem. A Crença nº 7, que se intitulava “A natureza do Homem”, intitula-se agora “A natureza da Humanidade”, de modo a apresentar uma linguagem neutra em termos de género. Na Crença nº 23, “Casamento e Família”, o termo “consortes” foi trocado por “um homem e uma mulher”. De facto, o significado do termo “consortes” usado no contexto do casamento foi modificado pelo uso social (fora do Adventismo), indicando hoje um compromisso em casamentos heterossexuais ou homossexuais. Este significado atual não era o sentido que a palavra tinha quando a Crença foi redigida em 1980. Esta mudança editorial significa que a Igreja se mantém apegada ao conceito bíblico de casamento, apesar das mudanças na cultura contemporânea.

Foram feitas mudanças significativas do tipo D. Na Crença nº 9, “A vida, morte e ressurreição de Cristo”, o termo “corporalmente” foi adicionado a seguir a “ressurgido”. Assim ficou claro que a ressurreição de Jesus não foi uma mera influência contínua ou uma mera experiência espiritual, mas uma verdadeira ressurreição de Cristo na sua totalidade enquanto pessoa, incluindo o Seu corpo. Embora as Escrituras enfatizem este ponto, ele é rejeitado por muitos teólogos cristãos, que não aceitam a historicidade do relato bíblico. Assim, era importante adicionar a palavra “corporalmente”.

A Crença nº 18, “O Dom de Profecia”, também foi alterada. Algumas pessoas achavam que a anterior declaração da Igreja concedia a Ellen White uma autoridade comparável com a da Bíblia. Foram feitas alterações para remover esta ambiguidade potencial. A própria Ellen White enfatizava que a sua autoridade estava sujeita à das Escrituras. A nova formulação desta Crença não diminui em nada a compreensão da nossa Igreja sobre a autoridade da Bíblia ou a autoridade profética de Ellen White. 

A Crença nº 8, “O Grande Conflito”, tinha uma frase que se referia à natureza “mundial” do Dilúvio bíblico. A intenção dessa frase era a de avançar o ensino bíblico de que o Dilúvio tinha coberto o mundo inteiro. Não se previu que o termo “mundial” fosse reinterpretado por algumas pessoas que não aceitam a historicidade de Génesis 1-11 de modo a significar “o mundo então conhecido”, indicando assim que o Dilúvio teria sido apenas um evento regional. Deste modo, a palavra “mundial” foi substituída pela palavra “global”.

A Crença nº 6, “A Criação”, foi a razão principal que levou à revisão da Declaração das Crenças Fundamentais nesta sessão da Conferência Geral. A declaração que existia antes tinha sido reinterpretada por alguns de modo a significar várias teorias alternativas sobre a Criação, incluindo o evolucionismo teísta. Assim, o Conselho Anual de 2004 emitiu uma declaração que clarificava a nossa posição, afirmando que a vida na Terra foi criada tal como está descrito em Génesis 1 e 2. As pessoas que reinterpretavam à sua maneira a Crença Fundamental nº 6 afirmavam que a declaração do Conselho Anual de 2004 não tinha autoridade, dado que não tinha sido votada numa sessão da Conferência Geral. Assim, a declaração de 2004 foi reafirmada na sessão da Conferência Geral de 2010, juntamente com o pedido de que o seu conteúdo fosse inscrito na Declaração das Crenças Fundamentais. A afirmação revista que foi aprovada nesta sessão de 2015 torna claro que Deus criou a vida na Terra em seis dias literais, os quais, com a adição do Sábado, constituíram uma semana semelhante à semana que ainda hoje existe. 

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