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Área movimentada de São Paulo recebe a Base Génesis, um espaço multiétnico que unirá projetos sociais mediante a pregação do evangelho.

 

A Praça da Sé, localizada no coração da maior metrópole brasileira, torna-se palco de um dos mais importantes projetos de missão urbana na cidade de São Paulo. Na semana passada, começou a funcionar na região um centro de influência adventista que unirá iniciativas de desenvolvimento humano mediante a pregação do evangelho. A chamada Base Génesis foi inaugurada no sábado, 9 de maio, com a presença do presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, pastor Ted Wilson, e de líderes da organização na América do Sul e no Estado de São Paulo.

No centro da diversidade cultural da capital paulista, o projeto começa por acolher 16 grupos étnicos e tribos urbanas, segundo Wallyson Santos, coordenador do centro de influência.

Este projeto torna-se possível com a ajuda de voluntários como Gonçalves Timanga Txissuale. O angolano, que reside no Brasil há 25 anos, viu neste projeto a oportunidade que esperava para evangelizar comunidades africanas. “Há sete anos que alimento este sonho, pois tenho encontrado muitos africanos no Brasil, não só angolanos, mas também nigerianos, senegaleses, camaroneses e sul-africanos”, afirma.

A Base Génesis pretende também influenciar imigrantes asiáticos e hispânicos, especialmente os bolivianos, que formam a segunda maior colónia de estrangeiros na cidade de São Paulo, com uma população de meio milhão de pessoas.

Outro foco das atenções é a comunidade árabe no Brasil. A proximidade da Praça da Sé com a Rua 25 de Março, que concentra o maior centro comercial da América Latina e se trata de um dos principais pontos turísticos da capital, torna a Base Génesis um ponto estratégico para o contato com esta cultura. A rua, que surgiu no século XIX, quando imigrantes árabes abriram as primeiras lojas no local, continua a ser um refúgio, principalmente para comerciantes sírios e libaneses.

No espaço multiétnico, as sextas-feiras estão reservadas para receber estes comerciantes e também refugiados árabes que desejam recomeçar a sua vida no Brasil. “Nas sextas-feiras à tarde, a base vai tornar-se num centro de cultura árabe. Eles vão confraternizar entre eles e conhecer-nos melhor também”, refere Wallyson, que já trabalhou com refugiados no Iraque. Segundo ele, os primeiros contactos já começam a ser feitos. “Em janeiro de 2015, conheci um rapaz no Iraque e ele falou-me de um amigo que tinha vindo para o Brasil. Ao voltar para cá, entrei em contacto com essa pessoa que atualmente é comerciante na Rua 25 de Março. Perguntei como via o Brasil e ele disse-me que o via como um novo começo. Então procurei saber como poderíamos ajudá-lo na sua nova vida no Brasil e ele respondeu que a sua esposa ainda não falava português. Então convidei-o para a Base Génesis, dizendo que ali ela teria a oportunidade de aprender a língua”, contou Wallyson.

As formas de abordagem serão diversificadas. Desde cursos de capacitação profissional até aulas de idiomas. “Para os imigrantes, vamos ter cursos de português. Além disso, pensando nas pessoas que trabalham nos arredores da Praça da Sé, teremos cursos de aperfeiçoamento profissional e em liderança”, explica Wallyson Santos.

Para facilitar o contacto com este mosaico cultural que forma a maior cidade do Brasil, os voluntários do projeto vão ter oportunidade de aprender novos idiomas, o que contribuirá igualmente para a formação de novos missionários brasileiros que servirão além-fronteiras. “Vamos oferecer cursos de diversas línguas, como inglês, árabe e mandarim”, informa o coordenador do projeto.

Com o objetivo de ir ao encontro dos estrangeiros que vivem na cidade e também das diversas “tribos urbanas” que ocupam os mais diversos espaços, a Base Génesis vai oferecer ainda aulas de culinária, bem como organizar atividades, com as quais alguns grupos, como os skaters e aficionados do motociclismo, se sintam identificados.

“Estamos abertos para desenvolver, através do voluntariado dos membros de igreja, todas as atividades que possibilitem o desenvolvimento humano nos aspetos físico, emocional e espiritual”, explica Wallyson Santos.

“Nada melhor do que um grande centro como São Paulo, com 20 milhões de habitantes, polo de atração de pessoas de todo o mundo, para realizar projetos de missão como este”, reforça Emílio Abdala, responsável pelos departamentos de Evangelismo e Missão Global no Estado de São Paulo.

A multiplicação de centros de influência nas grandes cidades apresenta contornos proféticos. Há mais de 100 anos, a escritora norte-americana, Ellen G. White, afirmou: “Devemos fazer mais do que temos feito para alcançar as pessoas das nossas cidades. Não devemos construir grandes edifícios nas cidades, mas, repetidas vezes, foi-me mostrado que devemos estabelecer em todas as nossas cidades pequenas instalações que se tornem centros de influência” (Testemunhos para a Igreja, vol. 7, p. 115).

Segundo o presidente mundial da organização, este é um dos grandes desafios para a Igreja no mundo contemporâneo. “Nós temos tentado desafiar a Igreja em todo o mundo para que adira aos planos que vêm descritos no Espírito de Profecia, a fim de alcançar pessoas nas grandes cidades”, afirma Ted Wilson.

Ad7 Notícias | RA